Inscreva-se para um encontro gratuito do Clube de Leitura do Senso Incomum
Seja bem vindo de volta, caríssimo leitor do Senso Incomum! Enquanto estamos acertando os últimos ajustes para retomar nosso site - desta vez, como uma newsletter, para dependermos cada vez menos do Google e seu algoritmo tirânico - resolvemos reiniciar nossas atividades com um pequeno presente (de grego): que tal conhecer o Clube de Leitura da Formação Senso Incomum?
Para isso, você só precisa inscrever-se aqui, em nossa nova plataforma, para ter a honra de ser um dos primeiros orgulhosos seres humanos a terem se cadastrado na newsletter que vai salvar o Ocidente, exceto Vila Madalena e adjacências.
Para os inscritos, enviaremos um e-mail na manhã desta quinta-feira, dia 5 de fevereiro, com o link para nosso encontro no Zoom (é preciso apenas ter o aplicativo instalado), sempre às quartas-feiras, às 20h30 (apenas a reestréia do Clube será na quinta). Apesar de serem encontros ao vivo, todos ficam gravados na Cursology para os inscritos na Formação Senso Incomum.
Para quem não sabe, começamos neste mês a leitura conjunta de Arquipélago Gulag, de Aleksandr Soljenítsyn, um dos livros mais proibidões do século XX.
Apenas o fato de o autor ter de se isolar numa casa abandonada por dois invernos russos para deixar escondido o relato do que viveu dentro dos campos de concentração soviéticos já deveria nos fazer tratá-lo como leitura obrigatória. O fato de o livro ser ainda uma investigação literária, um experimento de memória, sufocamento e reencontro do homem no limite de sua existência ainda deve ser um convite a mais para uma leitura mais densa. E o curioso fato de que Soljenítsyn, que enviou o livro clandestinamente para o estrangeiro assim que o finalizou, e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura quase imediatamente com sua publicação na Europa, coroa a importância de Arquipélago Gulag para o século XX - sob qualquer prisma, da literatura, filosofia, história até as ciências políticas.
Você sempre quis fazer parte de um clube de leitura, mas não sabe como funciona? Quer ler grandes livros, ou livros grandes (e difíceis), mas se perde no meio do caminho? Ou - o que é o mais importante - quer se aprofundar em livros cheios de riqueza, mas não consegue explorá-los direito?
Sem o marketing manjado, mas nada melhor do que ler com companhia, tendo com quem conversar sobre o livro. Não apenas para acompanhar as idéias de Flavio Morgenstern, mas para ter uma comunidade com valores comuns - idem velle, idem nolle - interessada nos mesmos temas, dedicada a aproveitar um pouco do nosso parco tempo livre para conversar não sobre política ou vidas alheias, mas sobre as maiores histórias da literatura.
Se a última vez que você ouviu alguém falando sobre literatura foi com a professora Lourdes jurando para você que Macunaíma será um prazer quase orgásmico de ser lido, bem, está na hora de voltar a falar de literatura com pessoas mais gabaritadas.
Repetindo, a regra é simples: inscreva-se aqui em nossa newsletter e você receberá o link para o primeiro encontro do Clube de Leitura lendo este grande clássico.
Caso queira continuar nossos encontros depois, basta inscrever-se na Formação Senso Incomum e você receberá o link para os outros encontros, todas as quintas-feiras, às 20h30.
Isto além de poder assistir os encontros falando de todos os livros que já lemos. Foram 7 meses lendo A Montanha Mágica, de Thomas Mann, iniciando no centenário do livro - com a técnica do close reading, lendo quase que diálogo a diálogo deste grande (e realmente grande) clássico do século XX, mostrando um mundo que havia se perdido com a Primeira Guerra Mundial e com discussões intelectuais que marcariam todo o século então vindouro.
Também lemos o poema O Corvo, de Edgar Allan Poe, para quem acha que poesia é muito difícil, abstrata ou de linguagem truncada. Poe leva ao limite o Leitmotiv fundamental dos poetas: a tentativa de aproximar som de sentido. O narrador, que lamenta a perda recente de sua amora Lenore, passa a imaginar, num sonho acordado, eventos fantásticos (ou cientificamente realistas?), sempre lembrando sons com yore, door, before, lore, more... Até que a entrada estrepitosa de um corvo invadindo seus aposentos transforma o monólogo em um possível diálogo, apesar de o corvo apenas repetir nevermore...
Nos últimos meses, lemos Pais e Filhos, de Ivan Turguêniev. Apesar de menos conhecido no Brasil, foi um dos (senão "o") primeiros grandes romances da literatura russa. O personagem principal, o jovem arrogante Evgueniev Bazárov, considera-se um niilista. Alguém que não acredita em nada. Que não respeita nada. Infenso às convenções sociais. E que tem oportunidades trágicas para mostrar quanto quer levar sua filosofia ao limite.
Agora vamos começar a leitura de Arquipélago Gulag, e você pode descobrir como é profundamente interessante, e intelectualmente estimulante, ler grandes livros com um clube de leitura.
Afirmo sem medo de parecer exagerado que, depois que começamos este clube de leitura, passei a considerar que clubes de leitura são uma das poucas organizações sociais de futuro. Mais do que muitas empresas, organizações culturais ou empreendimentos faraônicos ou modestos (grupos de Zap inclusos). Nem é preciso comparar com algo político, porque a comparação será sempre desleal.
Enfim, se você quer ter um gostinho, inscreva-se aqui e venha conosco em nosso primeiro encontro lendo Arquipélago Gulag, nesta quinta-feira, dia 5 de fevereiro, às 20h30. O link será enviado para os inscritos na manhã da quinta-feira. Verifique seu e-mail e nos encontramos no Zoom!
